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A obsessão pelas medalhas olímpicas

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 22.08.08

Uf!...Finalmente dois jovens atletas portugueses a trazer medalhas para casa! E logo a de ouro e a de prata... Agora, já não se podem queixar...

 

Já me estava a cansar, esta verdadeira obsessão pelas medalhas olímpicas!, esta pressão sobre os atletas, esta psicologia-de-trazer-por-casa sobre o "comportamento pouco competitivo dos nossos atletas"!

 

Já parecia o fenómeno double bind, é-se vítima da pressão, todo o país a projectar a sua auto-estima nos seus resultados, o que já por si aumenta a ansiedade e, quando não se conseguem os resultados, é-se novamente vítima de críticas acesas como "não ter espírito de competição"! Os atletas aqui não têm escapatória. É mais ou menos como "ser preso por ter cão ou por não ter"... não, é mais do género: "a medalha ou a Sibéria".

 

Por acaso, alguém já parou para pensar na pressão a que os atletas estão sujeitos? E mais intensa ainda, quando todo um país se projecta em bloco, a "salvação da sua honra", a sua auto-estima, no desporto? Foi assim também com a nossa Selecção, lembram-se? Uma multidão à partida, toda essa histeria colectiva... e um grupo de cem pessoas à chegada...

 

Mas estes dois jovens lá "salvaram a honra do convento". E de que maneira!

 

Quanto à miúda que corre-nada-anda de bicicleta, Vanessa Fernandes, nunca duvidei que iria trazer qualquer coisa para casa, fosse o que fosse! Lembra-me sempre o "Bip-bip" dos desenhos animados: ninguém a pára! Adorei vê-la naquele vídeo publicitário da "Nike", está fabuloso!

 

E quanto ao jovem atleta, Nélson Évora, que fez a proeza daquele triplo salto, que vi e revi, em câmara lenta, na RTPN... A elegância daquele triplo salto... não há palavras... Nem sei se me emocionei pelo salto em si, se pela emoção do jovem, a chorar de alegria, se de alívio por todos eles ao ver a bandeirinha caseira no topo da lista!

 

Mas com a alegria de uns e a tristeza de outros, a todos eles desejo a aquisição da sabedoria necessária para lidar com a enorme pressão a que estão sujeitos, sobretudo neste estranho país, que saibam fazer o "clic" (desligar) perante todas as críticas de "psicologia doméstica". Que aprendam a concentrar-se, a focar a sua atenção no seu desempenho e nos seus objectivos.

 

publicado às 16:45

A arte, as sínteses culturais e uma nova consciência

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 21.08.08

Tem sido a arte a abrir o caminho. E as pessoas comuns. E algumas, muito incomuns. As sínteses culturais e uma nova consciência.

 

Pensei nisto ao ver aquele documentário do canal ARTE, sobre a orquestra da Fundação Barenboin-Said e o concerto em Ramallah. Que a arte permite sínteses culturais, um dos passos para uma nova consciência.

 

No fundo, a história da humanidade, esse difícil percurso feito de destruição e reconstrução, da supremacia de culturas sobre outras.

 

O verdadeiro milagre é quando as sínteses culturais se fazem pacificamente, quando as culturas coexistem e se entrelaçam. E isso já aconteceu no passado. Porque é que agora se está a tornar tão difícil, quase impossível?

 

Limpezas étnicas. Já conceberam coisa mais inconcebível? Não encontro adjectivos.

 

Voltei a descobrir o maestro Barenboim, desta vez no canal Mezzo, no concerto "Tangos Sinfónicos em Buenos Aires". Concerto ao ar livre, numa daquelas amplas avenidas, cheias de gente. E com a Orquestra Filarmónica de Buenos Aires.

 

Entre outros compositores (já apanhei o concerto a meio), tocou-se Piazzola e um outro, compositor e pianista, Horacio Salgán que, com os seus 90 anos, foi ao palco agradecer, no final, os aplausos e o carinho da multidão.

 

Argentina. O país dos grandes contrastes e paradoxos, como tão bem o descreveu Bruce Charwin Na Patagónia.

 

País também de sínteses culturais geniais, como a de Jorge Luís Borges, o autor que me tem acompanhado este Verão. A inteligência das suas construções, a que designa de "peças", e em que se entrelaçam, de forma complexa, os grandes espaços, a musicalidade, a violência e a sensualidade da Argentina e a literatura, o racionalismo, o rigor, o lado científico e matemático britânico. 

 

 

publicado às 17:13

E se a política caseira é indigesta, a internacional é intragável!

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 12.08.08

A eterna lógica de predadores e vítimas, que serão predadores de outras vítimas e vítimas de novo, da linguagem do poder.

 

Liga-se a televisão para "ver as notícias" e fica-se sempre arrepiado.

 

Breve entrevista via satélite há dias, na CNN, a uma Tzipi Livni dura e inexpressiva, a dizer-nos, sem a menor emoção, que Israel se prepara para um possível ataque militar ao Irão e aqui escudou-se na Comunidade Internacional... que não pode permitir que o Irão se torne nuclear. (Como se os espiõezinhos ao serviço de Israel não fossem os melhores do mundo e, assim sendo, não soubessem muito bem que isso estará longe de acontecer. E, de qualquer modo, é esta a única forma de Israel resolver os problemas ou desafios, pela via militar? Que imaginação criativa... Foi assim com o Líbano, agora será com o Irão?) Bem, a verdade é que o rosto inexpressivo de Tzipi Livni me inquietou. Só revelou emoção, e aqui em sorriso rasgado, praticamente alvar, quando se ouviu a pergunta do jornalista, se iria ser a próxima prime minister. (Iaque.) Desliga-se a televisão.

 

Outro dia. A loucura histriónica e colorida da abertura dos Jogos Olímpicos em Pequim. Este investimento na imagem lembra-me, assim de repente, o filme de Bertolucci, O Último Imperador. A China imperial e a sua ficção, a pura fantasia, o espectáculo. Desliga-se a televisão.

 

Outro dia. A invasão da Geórgia pelo exército russo, nem mais. Outro império. A marcar o território. Teme-se o pior. Falam em baixas e em refugiados. Desliga-se a televisão.

 

As tensões e conflitos só mudam de lugar. Às vezes, nunca largam um lugar, como na faixa de Gaza, em que a violência já se tornou rotina. Num documentário recente do canal ARTE, sobre um concerto em Ramallah, pela orquestra de Barenboim, não consegui conter a emoção. Os jovens músicos israelitas chegaram em cima da hora do concerto, por questões de segurança, em jipes num corredor militar e tiveram de partir logo depois, mal podendo despedir-se do maestro e dos colegas, entre sorrisos e lágrimas. As frases simples de Barenboim ecoaram na sala e ficarão na memória de todos, estou certa. Não fazemos política. Não está nas nossas mãos construir a paz. De certo modo, está nas suas mãos, está nas nossas mãos. Só que, com a filosofia dominante actualmente no poder, ainda temos um grande caminho pela frente.

 

A consciência será a grande aventura do séc. XXI. Não é o poder bélico, técnico, ou mesmo o virtuosismo, seja em que área for. A grande aventura reside numa nova consciência, uma nova inteligência mais abrangente e criativa.

 

publicado às 17:16

 

E o nosso Presidente deu sinais de vida!

 

Foi preciso uma "bomba atómica" e nos Açores, um excesso delirante (mas arquitectado por juristas) de uma tentativa de limitação dos seus poderes mágicos (que ainda por cima já são limitados) mais um pontapé na Constituição e num dos pilares da democracia portuguesa: "a separação de poderes" e "as competências dos diversos órgãos de soberania."

 

O que foi preciso para pôr o Presidente a falar aos portugueses!

 

Provavelmente, o nosso Presidente nem precisará de utilizar tantos poderes, porque até agora raramente os tem utilizado, e para chegarmos a este ponto é porque a sua intervenção fez realmente falta.

 

Sim, os seus (ainda que limitados) poderes mágicos já teriam neutralizado estas tendências para saltar cercas divisórias e exceder áreas de intervenção, de arrivistas políticos.

 

Mas ainda assim, foi um gesto nobre. Talvez para garantir ao próximo Presidente, que até pode ser ele próprio, os poderes presidenciais intactos, tal como os recebeu em 2006.

 

E não só. Foi um gesto nobre lembrar-se de alertar os cidadãos. É que o que se passou é bem mais significativo e simbólico do que se pensa.

 

Mas pronto. Aguardamos os próximos episódios. Para já, parece que o PS dos Açores "assegurou" que "não pretendia criar uma crise nacional" (percebi bem?) E parece também que o PS do continente, aquele mimético, de onde só sai a voz do chefe, se reuniu. Enfim...

 

Que alguém se atrevesse a legislar por cima dos poderes presidenciais, esta é a novidade do Verão político. É preciso ter lata!? Sim senhor, "aqui é que vai uma República"!?

 

 

publicado às 14:51


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